Corpo e Cultura
 
 

parte da entrevista

Ricardo Marinelli - Quase Nu

 
 
 
Ricardo Marinelli nasceu em 1981, em Curitiba, no Paraná. É artista e pesquisador em arte contemporânea, integrante/fundador do coletivo Couve-Flor - Mini Comunidade Artística Mundial, de artistas independentes em Curitiba. Ricardo fala sobre o espetáculo "Quase Nu".
Foto do arquivo pessoal de Ricardo
 

Quem é Ricardo Marinelli?

BIOGRAFIA

Foi professor de Dança e Atividades Rítmicas no Departamento de Educação Física da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Universidade pela qual é Licenciado em Educação Física e Mestre em Educação.

Foi, em 2003, bolsista do Centro de Investigação do Movimento (CIM), sob a coordenação de Carmen Jorge. Neste mesmo ano participou de todos os Workshops oferecidos pelo Centro de Estudos do Movimento (CEM) da Casa Hoffmann, onde também realizou a curadoria do INSIDECWB, evento integrante do Ciclo de Ações Performáticas – Casa Hoffmann 2003/2004. Foi bolsista-residente deste mesmo centro no primeiro semestre de 2004, onde pode participar de residências artísticas com diversos profissionais nacionais e internacionais, dentre os quais pode-se destacar Xavier Le Roy, Thomas Lehmen, Deborah Ray, La Ribot, Juan Domingues, Sarah Michelson, Simone Augtherlony, Vera Mantero, David Zambrano, Lia Rodrigues, Tere O’Connor, dentre outros.

Ministrou diversas oficinas de formação continuada de professores e artistas, dentre as quais se destacam: “Diálogos do Corpo” (Brasil Telecom – Curitiba/2003); “Dança Contemporânea: criação e preparação corporal” (Escola de Danças do Teatro Guaíra – Curitiba/2004); “Dança Contemporânea em Ambientes Pedagógicos” (Espaço cultural ambiente – BH/2005); “Ritmo, expressão corporal e dança: uma proposta para o ensino fundamental” (Secretaria municipal de Educação – Curitiba/2006), “Composição Coreográfica” e “Dança Criança” (no Festival de Dança de Cascavel – 2006) e “Dançando nossas Urgências” (no Festival Peru em Danza – Lima, Peru - 2008).

Academicamente sua produção está, de maneira geral, ligada à discussão da arte como possibilidade de mediação do conhecimento e às questões que tangem o ensino da Educação Física e da Dança, setores em que conta com publicações em periódicos e eventos das áreas de Dança, Educação Física, Educação, Filosofia e Arte, tendo sido vinculado ao NUPESC/UFPR (Núcleo de estudos e Pesquisas Sócio-filosóficas e Culturais em Educação e Educação Física), onde coordenou entre 2004 e 2006 a linha de pesquisa de Dança e Diversidade Sexual.

Em 2005 foi contemplado com a Caravana FUNARTE de dança, com a qual circulou por 5 cidades com dois de seus trabalhos solos. Juntamente com os demais integrantes do couve-flor teve o projeto Couve-flor tronco e membros selecionado na primeira fase do prêmio FUNARTE - Klauss Vianna de fomento a dança (edição 2006).

Algumas de suas principais questões enquanto artista se localizam a busca de novos modos de relacionar dança em cena e espectador, propondo efetivar conexões de co-responsabilidade; discussão da nudez do/no movimento como forma de construir cumplicidades entre obra e público; relações afetivas e violência simbólica; mentira e verdade na cena e na vida e por fim na politicidade do corpo em cena (as inevitáveis conexões corpo/história/geografia).

Em meio aos trabalhos artísticos de sua autoria destacam-se “Passar Translúcido Constante”, “Desenhos de uns Sexos”, “Mais uma peça Selecta”, "Desenhando uns sexos em versão solo", "Homem, Branco, Ocidental, Classe Média" e os mais recentes projetos "Pelo a menos no país das maravilhas", “Eu tenho autorização da polícia para ficar pelado aqui” e “Na dúvida é tudo mentira”, trabalhos estes que fizeram parte dos seguintes eventos: Panorama Rio Arte de Dança (2004), Festival de Dança de Araraquara (2005), programa Artes na cidade (2005), Evento Descolamentos (SESC Ipiranga-2007), Bienal SESC Santos de Dança (2007), Edital de Circulação de Espetáculos da SEEC-PR (2007), Programa O Masculino na dança 2008 (Centro Cultural São Paulo), Festival de dança de Araraquara 2008, DIÁLOGOS Lima 2008 (Encontro Latino Americano de criadores em Dança contemporânea) e “Interação e conectividade edição II”, Salvador, Bahia (novembro de 2008).

Entre janeiro e abril de 2007 concebeu e dirigiu o projeto “Sobre aquilo que fica em mim”, realizado em parceria com a Cia do Abração, também premiado pela FUNARTE em 2006/2007.

Teve dois de seus trabalhos selecionados para a programação da terceira edição do Move Berlim, Festival de dança contemporânea na Alemanha, em abril de 2007.

É proponente do projeto “Da nudez, da mentira e da cumplicidade”, premiado no Prêmio Klauss Vianna de fomento à dança (FUNARTE-Petrobás), edição 2007/2008. Tal projeto resultou em seu último solo, “QUASE NU”, onde colaborou criativamente com mais 13 artistas. Quase nu estreou em abril de 2008 e já foi apresentado no evento Coletivo CORPO Autônomo, no Itaú Cultural – SP, em maio.

Desde a segunda metade de 2006 têm se dedicado a realizar intercâmbios com artistas brasileiros e internacionais, já tendo recebido (como produtor local) em Curitiba a Meia Ponta Cia de Dança (Belo Horizonte/MG); Marcelo Evelin (Teresina/Amsterdam); Basirah Núcleo de Dança Contemporânea (Brasília/DF) e Dani Lima Cia de Dança (Rio de Janeiro/RJ). Dentre estas iniciativas vale ainda ressaltar a produção das duas primeiras edições do evento Couve-flor Convida, junto aos demais integrantes do coletivo. Na primeira receberam em residência artística o Núcleo de Criação do Dirceu (Teresina/PI) e na segunda os grupos Dimenti e SUA CIA de Dança, ambos de Salvador-BA.

Em 2008 desenvolveu os projetos CORPOMEIOLÍNGUA - Conexões Dança – Artes Visuais (Premio Conexão Artes Visuais MinC/Funarte/Petrobras) e Estados de encontro e técnicas de infiltração – corpo em ação como suporte da arte, contemplado pela Bolsa Produção Artes Visuais da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e com previsão de estréia para o público em março de 2009, ambos em colaboração com Neto Machado e Elisabete Finger.

Atualmente trabalha com Elisabete Finger e outros colaboradores no projeto “AS OBRAS DENTRO DA OBRA (Linguagem, poética e autoria em dança discutidas através de experiências de tradução e transmissão”, contemplado pelo programa de apoio a pesquisa de linguagem em Dança 2008/2009 da FCC.

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1ª Parte - 28/12/2008

Quase Nu

RELEASE - Nudez, mentira e cumplicidade como pontos de partida para materializar uma vontade de revelar. Um manifesto das várias cuecas que possuo. Não só aquelas de vestir, mas todas as que me servem de esconderijo todos os dias. Um solo feito a muitas mãos onde me uso como assunto para discutir assuntos nossos.

Uma autobiografia aos pedaços, feita com um tanto de branco e vermelho, de ouro e lingüiça, de esmeralda e vale transporte. Me reviro e te ofereço o que sobra.

 

01 Ferraz - Fale sobre o Espetaculo Quase Nu.
Ricardo -
Há muito me interesso pela empatia que pode se construir entre obra cênica e público a partir da exposição frágil do artista. Me parece que o mecanismo que opera na construção dessa espécie de cumplicidade, entre quem vê e quem faz, tem relação com as formas de estar nu diante de alguém. Trata-se, talvez, de um processo de identificação que se dá sensorialmente e pelo acionamento de algo relacionado com a memória, como se a atitude nua de certa forma me desnudasse. Isso tudo, no caso da organização cênica, é atravessado por uma importante questão: a cena é artificial, e ao ser artificial, é de certo modo mentirosa.

----Como se desnudar e mentir ao mesmo tempo? Fragilidade, cumplicidade, nudez e mentira parecem palavras que oferecem articulações interessantes para esse projeto. Tentando esmiuçar melhor essas idéias: O formato do meu corpo e a forma com que ele se move distingue e define em mim algum tipo de identidade? Como isso se revela? Na verdade, será que se revela? Tirar toda a roupa é um jeito de revelar essas intimidades? Como a nudez pode existir/existe no corpo em movimento? Tais perguntas ajudam a circunscrever meu quase obsessivo interesse por revelar intimidades que residem no corpo em movimento. A idéia de nudez aparece aqui como limite a perseguir nas ações organizadas em cena. Resgatar minhas intimidades e encontrar formas de torna-las públicas, configurando assim uma ação que me desnuda. Perseguir a nudez é, por conseqüência, perseguir uma organização cênica que coloca em jogo fragilidades. Não se trata de um estado unicamente vulnerável, mas de uma presença orquestradamente frágil. O trânsito que estabelece entre nudez e fragilidade tem como pano de fundo a intenção de construir entre público e obra uma relação de cumplicidade. Artista e platéia são cúmplices no sentido de compartilharem, em alguma medida, a humanidade que reside no estado frágil. E todas essas relações se estabelecem num ambiente artificializado. Não me interessa desconsiderar que a cena é impreterivelmente um contexto artificial. Ou seja, mesmo que meu esforço artístico-investigativo seja por perseguir a nudez, ela será exposta numa situação controlada, e portanto com boa dose de mentira.
Mais informações sobre o processo de criação e sobre o projeto como um todo podem ser acessadas em www.nudezmentiracumplicidade.blogspot.com, blog desenvolvido especialmente para essa criação.


TRAJETÓRIA DO TRABALHO

Quase nu teve início em agosto de 2007 numa residência artística junto ao Núcleo de Criação do Dirceu (Teresina-PI). Em setembro o projeto recebeu o Prêmio Klauss Vianna de fomento à dança (edição 2007-2008). A estréia aconteceu em abril de 2008, no Ateliê de Criação Teatral (ACT) e o espetáculo já foi apresentado no evento Coletivo CORPO Autônomo, no Itaú Cultural – SP, em maio de 2008.

 

FICHA TÉCNICA
Concepção, direção e performance: Ricardo Marinelli
Olhar exterior e acompanhamento: Elisabete Finger
Consultoria Sonora e produção musical: Gilson Fukushima
Consultoria de Objetos de cena: Amábilis de Jesus
Design de luz: Fábia Guimarães
Conceito Visual: Aurélio Dominoni
Colaborações Artísticas: Juliana Adur, Neto Machado, Ronie Rodrigues, Cláudia Washington e Léo Glück
Produção executiva: Ricardo Marinelli
Foto: Alessandra Haro
Duração aproximada: 45’

RIDER TÉCNICO
Relação de platéia: frontal, preferencialmente arena;
Espaço cênico: dimensões mínimas de 7x7 metros. É importante que a parede do fundo seja branca;
Som: cd-player conectado a soud-system apropriado para o espaço de apresentação;
luz: Mesa e sistema de rack com pelo menos 12 canais, 12 PC 1000w, 06 Fresnel, 04 Set light, 04 elipsoidal, 10 PAR 64 #5; Gelatinas: 04 para set light (rosco) rose índigo #358, 10 para PAR (rosco) âmbar #04.
IMPORTANTE: todas as condições técnicas são amplamente negociáveis de acordo com as necessidades/possibilidades do evento.

 

ROOM LIST
Ricardo Marinelli Martins (Intérprete-criador)
Elisabete Finger (acompanhamento e operação de som)
Fábia Regina (iluminação)

 

CONTATO
Ricardo Marinelli
+ 55 41 3667 9811 / 96247077
ricardo.marinelli@gmail.com

www.nudezmentiracumplicidade.blogspot.com

http://couveflor.wordpress.com/


------Essa entrevista continuará através de uma troca de e-mails e consequêntimente as perguntas e respostas serão publicadas aqui sem data prevista.

O conteúdo e fotos desta entrevista são de responsabilidade do entrevistado - Ricardo Marinelli - Qualquer uso de imagem que possa ser considerado indevido, entrar em contato através do e-mail wag_ferraz@hotmail.com que tomaremos as devidas providencias de remover o material ou acrescentar os créditos adequados.

Wagner Ferraz

Ricardo Marinelli
Foto do arquivo pessoal de Ricardo
     
       

Álbum de

Ricardo Marinelli

Fotos cedidas por Ricardo

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