Corpo e Cultura
 
 

parte da entrevista

Nízia Villaça

19/03/2009
 
 
 

 

Nízia Villaça fala sobre o núcleo de pesquisa "ethos - comunicação, comportamento e estratégias corporais" e sobre a relação dos estudos relacionados a corpo e moda.

 
 
   

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1ª Parte - 19/03/2009

01 Ferraz - Fale sobre o Núcleo de pesquisa “Ethos – comunicação, -----------------------------------comportamento e estratégias corporais”.
Nízia - O núcleo de pesquisa ETHOS – Comunicação, Comportamento e Estratégias Corporais, criado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro pelos professores/pesquisadores Nízia Villaça, Ester Kosovski e Frederico de Góes, se constitui como lugar de reflexão sobre o imaginário do corpo e suas estratégias no cenário contemporâneo espetacularizado pela multiplicação acelerada das imagens e virtualizado pelo avanço da tecnociência.


O interesse central dos questionamentos é pensar as redemarcações dos espaços doméstico e público, os processos de subjetivação, os laços de solidariedade social que se inventam e reconfiguram no cotidiano, através de olhar construído nos limites do campo comunicacional com disciplinas como a Ética, a Filosofia, a Estética, a Psicologia, a Antropologia, a Sociologia e a Comunicação Social.


As atividades do Núcleo são executadas por pesquisadores da UFRJ e de outras universidades e instituições nacionais e estrangeiras, e por pesquisadores visitantes.
O ETHOS teve seu ponto de partida no trabalho de ensino e pesquisa que vem sendo realizado na pós-graduação (Mestrado e Doutorado) e nos cursos de graduação da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ). Sua meta é realizar trabalhos de integração entre estudantes de diferentes níveis, uma vez que também propicia a alunos e pesquisadores da pós-graduação a oportunidade de um exercício didático nas turmas de graduação.


A atual coordenadora, Nizia Villaça, de há muito desenvolve trabalho integrado com instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais. No momento, Nizia Villaça se dedica à pesquisa e ensino sobre os discursos e representações do corpo e a moda, e estratégia do consumo.


Tais estudos articulam-se com as linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação da ECO/UFRJ, que vem se desenvolvendo em torno da produção das novas subjetividades no campo da Literatura e da Mídia em geral, sobretudo face à crise dos fundamentos que orientaram o projeto moderno, redimensionando o lugar da verdade, da ética e da estética, a partir das transformações das categorias de espaço e tempo no horizonte dos avanços tecnológicos.


As atividades serão, então pensadas numa visão multi e transdisciplinar, de modo a produzir e divulgar saberes não compartimentados através de cursos, seminários, conferências, eventos multimidiáticos e publicações.


Linhas de pesquisa:
- A Est-ética da Moda e o imaginário das tribos.
- A produção do corpo nas mídias: texto e imagem
- Comunicação e ressemantização urbana
- Corpo, arte, cultura e tecnologia
- Discurso corporal e suas estratégias: gênero, etnia e faixa etária
- Processos de subjetivação no contemporâneo: tendências narrativas
- Consumo: globalização e periferia
- Rio de Janeiro: corpo e espaços periféricos

 

02 Ferraz - Como tu tem percebido os estudos que se preocupam com a relação -----------------corpo e moda no Brasil depois de tu ter participado 4ª edição do ----------------------Colóquio de Moda?
Nízia - Tenho participado da organização do Colóquio de Moda, colaborando com Kathia Castilho que desenvolve trabalho muito sério sobre moda em São Paulo. Ela efetivamente soube constelar inúmeros grupos de pesquisa nacionais que se empenharam ativamente na realização do encontro. O que me chama a atenção é sobretudo a amplitude que a moda vai assumindo como cultura conectando as mais diversas áreas do saber. Parece-me importante a expansão deste universo que ao mesmo tempo é puro design, estética, sem abrir mão da ética com atribuição de importância inequívoca a questões como sustentabilidade, diversidade e tantas outras preocupadas com um progresso com um mínimo de poluição e muita responsabilidade. Um outro aspecto que julgo importante é, neste contexto, a consciência dos processos de subjetivação que são propostos pelo universo tecnológico e toda a transformação do imaginário urbano e comunicacional. Interatividade, conexão, reinvenção, releitura, dão pequena idéia do desejo de participação de toda uma comunidade que se deseja ludicamente ativa.

 

03 Ferraz - O que um jovem pesquisador deve levar em consideração nas --------------------------buscas em investigar a relação corpo/moda/cultura?
Nízia - O jovem pesquisador deve, sobretudo, estar atento ao que muda na cultura contemporânea no que se refere a novos comportamentos, sejam eles familiares, profissionais, privados ou públicos. A atenção deste pesquisador passa pelos veículos impressos e eletrônicos na sua imensa variedade, passa pelas ruas e pelas relações que os espaços oferecem aos transeuntes, aos grupos etc. É olhar, arquitetura, cenários, eventos, movimentos. De tudo isso, o pesquisador vai registrando as recorrências e fazendo associações, criando idéias que sejam enriquecedoras de um imaginário comum, tendo aquele “clic” da moda sem perder o olhar crítico.

 

Conheça o Ethos: http://www.grupoethos.net./

------Essa entrevista continuará através de uma troca de e-mails e consequêntimente as perguntas e respostas serão publicadas aqui sem data prevista.

O conteúdo e fotos desta entrevista são de responsabilidade da entrevistada - Nízia Villaça.

Wagner Ferraz