|
--
1ª
Parte - 10/02/2009
01
Ferraz - Fale sobre sua trajetória.
Fabiano -
O início: Ingressei
no mundo da musculação por meados de 1992, com
15 anos, numa pequena academia de bairro, na zona sul de Porto
Alegre. O que me levou a entrar numa academia foi a vontade
de melhorar meu físico, que na época, era o
de um jovem normal para a idade, mas em uma fase que o adolescente
já busca uma auto afirmação, um norte
a seguir, se fortalecer perante a sociedade de alguma forma,
e foi desse jeito que me encontrei, mesmo que na época
não me afirmasse em nada.
Com o passar dos anos, meu corpo foi respondendo ao meu empenho
e dedicação, junto ao investimento de conhecimento
técnico declinado a mim, por um grande amigo e dono
da Academia Ipanema na época.
Acabei trabalhando como instrutor de academia de 1995 a 1997,
quando em abril desse último ano mencionado, participei
de um Curso Técnico de Musculação, ministrado
pela Federação Gaúcha de Musculação,
com o foco de legalizar minha função. Segui
por mais um ano como instrutor até que segui outro
caminho profissional, mas nunca deixei de me dedicar aos treinos
de musculação.
Tornando-me
um Bodybuilder
Com o passar
do tempo, numa mudança residencial ocorrida em 2005,
morando agora na zona norte da Capital, passei a treinar na
academia Pro Muscle, já extinta, onde havia verdadeiros
atletas de fisiculturismo, em grande fase, no auge de competições.
Foi então que conheci o esporte que me apaixonei. Um
aprimoramento da musculação que eu já
tanto gostava.
Como sou Policial Militar (há mais de 10 anos), e servia
no Choque, nessa época coincidiu com meu afastamento
dessa atividade por solicitação minha, devido
a alto nível de entres. Com um horário mais
regrado na PM, exercendo outra atividade, passei a treinar
melhor, aprender novas técnicas com os atletas presentes
na academia e como já tinha um grande potencial físico
adquirido com muito treino e suor, viram que eu tinha um ótimo
perfil técnico e físico para ingressar no fisiculturismo.
Então, meu treinador, Humberto Garcia, apostou e investiu
seus conhecimentos de competidor em mim, e eu fiz minha parte.
Títulos
Foram seis participações
em 2006, tendo vencido 5 dos disputados e um vice.
2006
XI Mr. Fonteira – Pelotas/RS – 1º Lugar,
Categoria 85-90kg
VII Mr. Fronteira – Bagé/RS - 1º Lugar,
Categoria acima 90kg
III Copa Rio Grande – Rio Grande/RS - 1º Lugar,
Categoria acima 90kg
I Copa Federação dos Campeões NABBA/RS
– 1º Lugar Class I – Overall
I Campeonato Gaúcho NABBA/RS - 1º Lugar Class
I (atletas acima de 1,79m)
Campeonato Gaúcho IFBB/RS – Vice Campeão
– Acima de 90kg
2007
II Campeonato Gaúcho NABBA/RS - 3º Lugar, Class
I
2008
II Copa Jacaré de Fisiculturismo (seletivo a II Copa
Sul Sudeste) - 1º Lugar Class I
II Copa Sul Sudeste – Curitiba/PR – Classificado
para a final, Class I – Prévias
Detalhamento das competições
Em abril de 2006
estreei numa grande competição no interior do
RS, no município de Pelotas/RS, o XI Mr. Pelotas, no
qual fui campeão na categoria até 90 kg, indo
ainda para disputa do “Overall”, ficando com o
vice de melhor da noite.
Uma semana depois, viajei até Bagé/RS, no VII
Mr. Fronteira, onde repeti o mesmo feito, mas na categoria
acima de 90 kg.
No mesmo ano, conquistei ainda a III Copa Rio Grande, em Rio
Grande/RS, a I Copa da Federação dos Campeões,
realizado em Novo Hamburgo/RS, tendo sido Overall e Campeão
Gaúcho 2006, alguns meses depois. Ainda, teimoso, entrei
no campeonato gaúcho por outra federação,
resultando em “suspeito” Vice-Campeão.
2007
- Dureza
Foi um ano duro
pra mim, principalmente na esfera pessoal. Enfrentei uma crise
de depressão, separação de um relacionamento
e muitas outras coisas que se sucedeu em meu desfavor. Mesmo
assim, pra não “perder o ano”, consegui
superar essas dificuldades com minhas próprias forças
e utilizando meus treinos como terapia.
Fiz uma preparação com poucos investimentos,
treinei abaixo do meu potencial, mas subi aos palcos do campeonato
gaúcho em 2007, ficando em um lamentável 3º
lugar, mas que me deixou fortalecido para seguir treinando
forte, visando o próximo ano.
2008
– A volta por cima
Um grande ano.
Fiz parceria de treino com o outro atleta e grande amigo,
Newton Silva, “o Newtinho”, multicampeão
no Estado do RS, com o qual treinamos duro o ano todo, pesado,
intensamente, investimos muito, mas muito na preparação,
focando apenas uma competição no final do ano.
Ambos fomos campeões na seletiva, realizada em São
Leopoldo/RS, e seguimos para nossa estréia fora do
estado, em Curitiba/PR. Fui com uma lesão no ombro,
decorrente de um treino realizado uma semana antes, que acabou
com minha preparação, na véspera do principal
evento. Competi, mas fui prejudicado pela rigorosa avaliação
física da comissão de arbitragem, mas fiz ainda
uma magnífica apresentação ao público,
mesmo que não ficasse entre os 3 primeiros, ficando
classificado somente para a final do campeonato. Errando que
se aprende.
O que é preciso para ser um
BodyBuilder
É muito
complexo determinar o que se precisa fazer para se tornar
um atleta do fisiculturismo, pois envolve muitas coisas. Tudo
interfere, a favor ou contra. A vida pessoal, profissional,
o empenho, a dedicação, a fonte de conhecimentos,
o passado na musculação e outros fatores naturais
da vida.
É um esporte que envolve muita, mas muita dedicação,
disciplina, rigor, abstinências, perseverança,
investimento financeiro e acima de tudo, muito treino. Este
conjunto de adjetivos mencionados, dentre outros diversos,
é que formam um campeão e fazem a diferença
entre quem ganha e quem perde.
Realmente, uma coisa eu posso dizer: Não é pra
quem quer...
O fisiculturismo
Tanto no Brasil,
quanto mundialmente, o esporte é dividido em duas importantes
federações, a IFBB e NABBA. A primeira separa
as categorias por peso dos atletas, quando a outra, por altura
dos competidores. Eu, por questões pessoais, optei
pela NABBA, pelo conjunto todo que ela oferece suas características
e afins, me identifiquei mais e me adaptei as suas regras.
O Rio Grande do Sul é uma fabrica de atletas. Já
tivemos aqui grandes atletas de nível nacional, com
espetaculares físicos, mas sempre em poucos números,
face o nosso Estado estar afastado do foco do fisiculturismo,
que se concentra basicamente em São Paulo, seguido
por RJ, MG, ES. Regionalmente, RS, SC e PR, (Toda região
sul) estão hoje, no mesmo nível de desenvolvimento.
Na verdade, os altos e baixos das federações
aqui no RS, é que impedem o nosso estado de divulgar
mais o esporte e incentivar os atletas mais antigos e iniciantes,
face às trocas de presidências, falta de iniciativa,
verba e principalmente, união com todos amantes desse
esporte. Então resta o que? Cada um fazer por si.
Trabalhos
realizados
Venho desenvolvendo
a aproximadamente 3 anos a atividade de Personal Trainer,
iniciada paralelamente ao Bodybuilding, em razão das
mudanças no meu horário profissional, como mencionei
anteriormente, que assim, me permitiram assumir a responsabilidade
de horários com meu alunos.
Viso atender as necessidades do aluno (a), buscando resultados
pelo trabalho em conjunto, entre aluno e personal. Tanto um
jovem iniciante, quanto uma pessoa sedentária, da melhor
idade ou mesmo quem pretenda competir um dia, busco introduzir
a musculação na vida das pessoas da forma harmoniosa,
prazerosa e que tenha um sentido positivo e não vire
uma obrigação.
Dentro da área, já participei de seminários,
como no último ano, realizado pela empresa de nutrição
esportiva Probiótica. Busco bibliografias como do mestre
Waldemar Guimarães, Fernando Marques dentre outros
que dominam o assunto musculação, nutrição
esportiva e treinamento de competição, onde
transmito e adapto tudo que posso aos meus alunos.
Divulgações
de trabalhos
Pela revista Jornal da Musculação, comercializada
em todo Brasil, houve diversas divulgações de
resultados de campeonatos, matéria na Revista VOID,
em 2007, entrevista para Rede Record, divulgação
de trabalho junto à revista Guia Festa, vídeos
no YOUTUBE, cartões personalizados, além de
trabalhos de divulgação junto a lojas de suplementação
na Capital.
Patrocínio
É a sua
falta que impede atletas de grandes potenciais de seguirem
em frente. Não há qualquer ajuda financeira
ou apoio que faça um diferencial. Tudo é patrocinado
do bolso do atleta. Cada centavo conquistado é revertido
para a preparação. É um esporte caro
para os competidores de ponta, pois são os que investem
muito para obter os resultados finais. Competição
não é só treino. É suplementação
(basicamente, toda importada, pela qualidade oferecida), dieta,
viagens, estadias e outras dezenas de coisas agregadas que
somam um montante de assustar. Tem que ser por muito amor
mesmo, pois não é um esporte que visa lucro
financeiro ao vencedor, só que é necessário
esse apoio pra se chegar lá.
2ª
Parte - 18/02/2009
02
Ferraz - Como são os treinos
que antecedem as competições?
Fabiano -
Minha preparação
para competir fica em torno de 12 semanas. Trabalho individualmente
os grupos musculares, divididos em: peito, ombro (frontal,
lateral e posterior), costas (Dorsal, lombar), bíceps
e tríceps e pernas (coxas e femural), além de
trapézio, panturrilha e abdômen. Realizo uma
variação de exercícios entre si, não
havendo treino repetido. Repetições em torno
de 12, 15 e até 20 por exercício, resultando
em uma “confusão muscular” que me fazem
chegar à fadiga muscular e falha total do músculo,
alcançando seu pico máximo de hipertrofia, sendo
esse o objetivo desejado. Esse método de treinar os
grupos separadamente, me permite explorar ao máximo
uma parte do corpo, até seu limite, sem que depois
eu precise treinar outra, quando já estou cansado,
e o rendimento não seria o mesmo do que começar
no outro dia em condições totais. Saliento que
não existe um treino técnico padrão ou
um método de preparo único, variando de atleta
para atleta, porém, muitas vezes, realizamos treinamentos
bem parecidos.
03
Ferraz - Qual a participação
de teus amigos e familiares durante as --------------------------------competições?
Fabiano -
No palco, quando nossos amigos e familiares têm
a oportunidade de nos assistir, se surpreendem e não
nos reconhecem. Rosto “chupado da dieta”, totalmente
pintados, com o corpo reluzente, trincado e cheio de veias,
assusta os seres humanos normais. Quem é atleta do
físico, passa por transformações durante
o ano, e todos ao nosso redor vivenciam juntas as mudanças.
Durante o ano, longe de competir, fico em média uns
10 kg acima do peso de competição, denso, com
um volume mais notável aos olhos dos outros. Ao começar
uma dieta a coisa vai mudando. O peso vai diminuindo, assim
como aquele volume mais inchado, a vascularização
que antes era moderada, fica mais acentuada, criando verdadeiras
raízes pelos braços a fora. Nisso, aquele volume
baixa bastante, pois a massa magra proporciona uma visão
mais discreta. Assim, “harmoniosamente”, convivemos
com os mais diversos comentários, sejam maldosos, curiosos
ou ingênuos, tais como, se estamos numa fase normal,
uns acham que estamos “gordos”. Quando a dieta
pega, perguntam: Parou de treinar?... Emagreceu hem! Ta doente?
Ouvimos de tudo. Aí, quando por algum motivo estamos
com menos roupa, ou sem a camiseta, quem vê não
acredita que por baixo daquela camiseta solta e daquela “aparente
magreza”, tem uma mutação que ninguém
vê.
04
Ferraz - Fale do corpo moldado pelo
fisiculturismo.
Fabiano -
No mundo da arte, o artista busca modificar tudo
o que a mente possa lhe permitir. Manifesta suas idéias
e reproduz mutações num simples pedaço
papel, numa tela, numa pedra, ou seja, lá onde quiser
se expressar. No esporte isso também é possível.
O fisiculturismo torna isso realidade. A matéria bruta
a ser lapidada é o próprio corpo humano, que
reúne características diversas. Uma transformação
vai ocorrendo gradativamente. As curvas vão ficando
cada vez mais profundas, a pele vai esticando, ficando mais
fina que papel, com aspecto de uma ceda, o corpo mais firme
que uma rocha, quase uma armadura, veias tomam conta do corpo,
parecendo verdadeiras raízes. Um trabalho longo, dolorido,
suado e incrível!
O resultado final de aproximadamente 12 semanas é exposto
num palco por apenas 90 segundos. Um seleto grupo de artistas
é que fazem parte dessa galeria de obras de arte, onde
não é apenas o resultado final que vale para
o atleta nem a exibição de um corpo, e sim o
prazer do treino intenso, pesado, acompanhando o resultado,
semana após semana de muito sacrifício, onde
os espelhos, as comparações, as opiniões
e os olhos alheios, são meros coadjuvantes. O Fisiculturista
em resumo, é uma obra de arte viva, que além
da matéria física trabalhada, expressa através
da linguagem corporal, toda magia que o esporte representa,
toda beleza esculpida. No palco além de toda essa exibição
ao público, para o BodyBuilder, tem outro significado.
É a guerra de um homem só. Um esporte individual,
onde em cima de um palco é cada um por si, observando
as regras do esporte, predeterminadas por poses obrigatórias,
quando cada um tem o seu momento de mostrar o seu melhor,
todo potencial trabalhado e lapidado, aguardando o julgamento
final, que decidirá que é o mais completo culturista.
05
Ferraz - Explique como são
feitas as avaliações nos campeonatos.
Fabiano -
Em um campeonato, a avaliação é
realizada por uma comissão de árbitros, sempre
em número ímpar, acima de três avaliadores,
tendo um arbitro central que dá o veredicto final e
aponta os vencedores e demais colocações. As
regras do esporte são universais, sendo o esporte dividido
em duas federações, IFBB (International Federation
of Body Building and Fiteness) e NABBA (National Amateur Bodybuilders
Association), tendo a primeira como característica,
separar as categorias dos competidores por peso corporal,
quando a outra por altura, ambas as avaliações
e medidas realizadas no dia da competição. No
palco há dois momentos. Uma apresentação
individual, onde o competidor apresenta coreografia musical,
“normalmente” ensaiada, para demonstrar ao público
poses do culturismo, tendo aproximadamente 90 segundos para
a exibição, que cabe salientar, não é
avaliada, e sim, apenas uma apresentação ao
público. O segundo momento, as categorias são
chamadas ao palco ordenadamente, uma por vez. Dentro da mesma,
os atletas seguem a orientação do árbitro
central, que ordena a execução de uma seqüência
de poses obrigatórias, essas sim, avaliadas no ato
pelos demais membros da comissão avaliadora, onde é
feita a comparação entre os atletas. Todos os
atletas recebem um número de identificação
e são chamados pelo nome ou número, em qualquer
movimentação ou solicitação. Essas
comparações se baseiam em analisar os seguintes
pontos: Harmonia e simetria muscular, isso que dizer a analise
de toda musculatura trabalhada, definição, volume,
proporção, aliando então, a qualidade
e tamanho dos músculos, estriamento muscular, postura,
apresentação.
------Essa
entrevista continuará através de uma troca de
e-mails e consequêntimente as perguntas e respostas
serão publicadas aqui sem data prevista.
O conteúdo
e fotos desta entrevista são de responsabilidade do
entrevistado - Fabiano
Krowczuk
- Qualquer uso de imagem que possa ser considerado indevido,
entrar em contato através do e-mail wag_ferraz@hotmail.com
que tomaremos as devidas providencias de remover o material
ou acrescentar os créditos adequados.
Wagner Ferraz |