Corpo e Cultura
 
 

e parte da entrevista

Fabiano Krowczuk

Atualizado em: 18/02/2009
 
 
 

Fisiculturismo

Fabiano fala de sua trajetória e apresenta um panoramo da organização e esturtua de quem escolhe o fisiculturismo como projeto de vida.

 
Foto do arquivo pessoal de Fabiano
   

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1ª Parte - 10/02/2009

01 Ferraz - Fale sobre sua trajetória.
Fabiano - O início:
Ingressei no mundo da musculação por meados de 1992, com 15 anos, numa pequena academia de bairro, na zona sul de Porto Alegre. O que me levou a entrar numa academia foi a vontade de melhorar meu físico, que na época, era o de um jovem normal para a idade, mas em uma fase que o adolescente já busca uma auto afirmação, um norte a seguir, se fortalecer perante a sociedade de alguma forma, e foi desse jeito que me encontrei, mesmo que na época não me afirmasse em nada.
Com o passar dos anos, meu corpo foi respondendo ao meu empenho e dedicação, junto ao investimento de conhecimento técnico declinado a mim, por um grande amigo e dono da Academia Ipanema na época.
Acabei trabalhando como instrutor de academia de 1995 a 1997, quando em abril desse último ano mencionado, participei de um Curso Técnico de Musculação, ministrado pela Federação Gaúcha de Musculação, com o foco de legalizar minha função. Segui por mais um ano como instrutor até que segui outro caminho profissional, mas nunca deixei de me dedicar aos treinos de musculação.

 

Tornando-me um Bodybuilder

Com o passar do tempo, numa mudança residencial ocorrida em 2005, morando agora na zona norte da Capital, passei a treinar na academia Pro Muscle, já extinta, onde havia verdadeiros atletas de fisiculturismo, em grande fase, no auge de competições. Foi então que conheci o esporte que me apaixonei. Um aprimoramento da musculação que eu já tanto gostava.
Como sou Policial Militar (há mais de 10 anos), e servia no Choque, nessa época coincidiu com meu afastamento dessa atividade por solicitação minha, devido a alto nível de entres. Com um horário mais regrado na PM, exercendo outra atividade, passei a treinar melhor, aprender novas técnicas com os atletas presentes na academia e como já tinha um grande potencial físico adquirido com muito treino e suor, viram que eu tinha um ótimo perfil técnico e físico para ingressar no fisiculturismo. Então, meu treinador, Humberto Garcia, apostou e investiu seus conhecimentos de competidor em mim, e eu fiz minha parte.

Títulos

Foram seis participações em 2006, tendo vencido 5 dos disputados e um vice.

2006
XI Mr. Fonteira – Pelotas/RS – 1º Lugar, Categoria 85-90kg
VII Mr. Fronteira – Bagé/RS - 1º Lugar, Categoria acima 90kg
III Copa Rio Grande – Rio Grande/RS - 1º Lugar, Categoria acima 90kg
I Copa Federação dos Campeões NABBA/RS – 1º Lugar Class I – Overall
I Campeonato Gaúcho NABBA/RS - 1º Lugar Class I (atletas acima de 1,79m)
Campeonato Gaúcho IFBB/RS – Vice Campeão – Acima de 90kg

2007
II Campeonato Gaúcho NABBA/RS - 3º Lugar, Class I

2008
II Copa Jacaré de Fisiculturismo (seletivo a II Copa Sul Sudeste) - 1º Lugar Class I
II Copa Sul Sudeste – Curitiba/PR – Classificado para a final, Class I – Prévias


Detalhamento das competições

Em abril de 2006 estreei numa grande competição no interior do RS, no município de Pelotas/RS, o XI Mr. Pelotas, no qual fui campeão na categoria até 90 kg, indo ainda para disputa do “Overall”, ficando com o vice de melhor da noite.
Uma semana depois, viajei até Bagé/RS, no VII Mr. Fronteira, onde repeti o mesmo feito, mas na categoria acima de 90 kg.
No mesmo ano, conquistei ainda a III Copa Rio Grande, em Rio Grande/RS, a I Copa da Federação dos Campeões, realizado em Novo Hamburgo/RS, tendo sido Overall e Campeão Gaúcho 2006, alguns meses depois. Ainda, teimoso, entrei no campeonato gaúcho por outra federação, resultando em “suspeito” Vice-Campeão.

2007 - Dureza

Foi um ano duro pra mim, principalmente na esfera pessoal. Enfrentei uma crise de depressão, separação de um relacionamento e muitas outras coisas que se sucedeu em meu desfavor. Mesmo assim, pra não “perder o ano”, consegui superar essas dificuldades com minhas próprias forças e utilizando meus treinos como terapia.
Fiz uma preparação com poucos investimentos, treinei abaixo do meu potencial, mas subi aos palcos do campeonato gaúcho em 2007, ficando em um lamentável 3º lugar, mas que me deixou fortalecido para seguir treinando forte, visando o próximo ano.

2008 – A volta por cima

Um grande ano. Fiz parceria de treino com o outro atleta e grande amigo, Newton Silva, “o Newtinho”, multicampeão no Estado do RS, com o qual treinamos duro o ano todo, pesado, intensamente, investimos muito, mas muito na preparação, focando apenas uma competição no final do ano. Ambos fomos campeões na seletiva, realizada em São Leopoldo/RS, e seguimos para nossa estréia fora do estado, em Curitiba/PR. Fui com uma lesão no ombro, decorrente de um treino realizado uma semana antes, que acabou com minha preparação, na véspera do principal evento. Competi, mas fui prejudicado pela rigorosa avaliação física da comissão de arbitragem, mas fiz ainda uma magnífica apresentação ao público, mesmo que não ficasse entre os 3 primeiros, ficando classificado somente para a final do campeonato. Errando que se aprende.


O que é preciso para ser um BodyBuilder

É muito complexo determinar o que se precisa fazer para se tornar um atleta do fisiculturismo, pois envolve muitas coisas. Tudo interfere, a favor ou contra. A vida pessoal, profissional, o empenho, a dedicação, a fonte de conhecimentos, o passado na musculação e outros fatores naturais da vida.
É um esporte que envolve muita, mas muita dedicação, disciplina, rigor, abstinências, perseverança, investimento financeiro e acima de tudo, muito treino. Este conjunto de adjetivos mencionados, dentre outros diversos, é que formam um campeão e fazem a diferença entre quem ganha e quem perde.
Realmente, uma coisa eu posso dizer: Não é pra quem quer...

 

O fisiculturismo

Tanto no Brasil, quanto mundialmente, o esporte é dividido em duas importantes federações, a IFBB e NABBA. A primeira separa as categorias por peso dos atletas, quando a outra, por altura dos competidores. Eu, por questões pessoais, optei pela NABBA, pelo conjunto todo que ela oferece suas características e afins, me identifiquei mais e me adaptei as suas regras.
O Rio Grande do Sul é uma fabrica de atletas. Já tivemos aqui grandes atletas de nível nacional, com espetaculares físicos, mas sempre em poucos números, face o nosso Estado estar afastado do foco do fisiculturismo, que se concentra basicamente em São Paulo, seguido por RJ, MG, ES. Regionalmente, RS, SC e PR, (Toda região sul) estão hoje, no mesmo nível de desenvolvimento.
Na verdade, os altos e baixos das federações aqui no RS, é que impedem o nosso estado de divulgar mais o esporte e incentivar os atletas mais antigos e iniciantes, face às trocas de presidências, falta de iniciativa, verba e principalmente, união com todos amantes desse esporte. Então resta o que? Cada um fazer por si.

 

Trabalhos realizados

Venho desenvolvendo a aproximadamente 3 anos a atividade de Personal Trainer, iniciada paralelamente ao Bodybuilding, em razão das mudanças no meu horário profissional, como mencionei anteriormente, que assim, me permitiram assumir a responsabilidade de horários com meu alunos.
Viso atender as necessidades do aluno (a), buscando resultados pelo trabalho em conjunto, entre aluno e personal. Tanto um jovem iniciante, quanto uma pessoa sedentária, da melhor idade ou mesmo quem pretenda competir um dia, busco introduzir a musculação na vida das pessoas da forma harmoniosa, prazerosa e que tenha um sentido positivo e não vire uma obrigação.
Dentro da área, já participei de seminários, como no último ano, realizado pela empresa de nutrição esportiva Probiótica. Busco bibliografias como do mestre Waldemar Guimarães, Fernando Marques dentre outros que dominam o assunto musculação, nutrição esportiva e treinamento de competição, onde transmito e adapto tudo que posso aos meus alunos.

 

Divulgações de trabalhos

Pela revista Jornal da Musculação, comercializada em todo Brasil, houve diversas divulgações de resultados de campeonatos, matéria na Revista VOID, em 2007, entrevista para Rede Record, divulgação de trabalho junto à revista Guia Festa, vídeos no YOUTUBE, cartões personalizados, além de trabalhos de divulgação junto a lojas de suplementação na Capital.

Patrocínio

É a sua falta que impede atletas de grandes potenciais de seguirem em frente. Não há qualquer ajuda financeira ou apoio que faça um diferencial. Tudo é patrocinado do bolso do atleta. Cada centavo conquistado é revertido para a preparação. É um esporte caro para os competidores de ponta, pois são os que investem muito para obter os resultados finais. Competição não é só treino. É suplementação (basicamente, toda importada, pela qualidade oferecida), dieta, viagens, estadias e outras dezenas de coisas agregadas que somam um montante de assustar. Tem que ser por muito amor mesmo, pois não é um esporte que visa lucro financeiro ao vencedor, só que é necessário esse apoio pra se chegar lá.

2ª Parte - 18/02/2009

02 Ferraz - Como são os treinos que antecedem as competições?
Fabiano - Minha preparação para competir fica em torno de 12 semanas. Trabalho individualmente os grupos musculares, divididos em: peito, ombro (frontal, lateral e posterior), costas (Dorsal, lombar), bíceps e tríceps e pernas (coxas e femural), além de trapézio, panturrilha e abdômen. Realizo uma variação de exercícios entre si, não havendo treino repetido. Repetições em torno de 12, 15 e até 20 por exercício, resultando em uma “confusão muscular” que me fazem chegar à fadiga muscular e falha total do músculo, alcançando seu pico máximo de hipertrofia, sendo esse o objetivo desejado. Esse método de treinar os grupos separadamente, me permite explorar ao máximo uma parte do corpo, até seu limite, sem que depois eu precise treinar outra, quando já estou cansado, e o rendimento não seria o mesmo do que começar no outro dia em condições totais. Saliento que não existe um treino técnico padrão ou um método de preparo único, variando de atleta para atleta, porém, muitas vezes, realizamos treinamentos bem parecidos.

 

03 Ferraz - Qual a participação de teus amigos e familiares durante as --------------------------------competições?
Fabiano - No palco, quando nossos amigos e familiares têm a oportunidade de nos assistir, se surpreendem e não nos reconhecem. Rosto “chupado da dieta”, totalmente pintados, com o corpo reluzente, trincado e cheio de veias, assusta os seres humanos normais. Quem é atleta do físico, passa por transformações durante o ano, e todos ao nosso redor vivenciam juntas as mudanças. Durante o ano, longe de competir, fico em média uns 10 kg acima do peso de competição, denso, com um volume mais notável aos olhos dos outros. Ao começar uma dieta a coisa vai mudando. O peso vai diminuindo, assim como aquele volume mais inchado, a vascularização que antes era moderada, fica mais acentuada, criando verdadeiras raízes pelos braços a fora. Nisso, aquele volume baixa bastante, pois a massa magra proporciona uma visão mais discreta. Assim, “harmoniosamente”, convivemos com os mais diversos comentários, sejam maldosos, curiosos ou ingênuos, tais como, se estamos numa fase normal, uns acham que estamos “gordos”. Quando a dieta pega, perguntam: Parou de treinar?... Emagreceu hem! Ta doente? Ouvimos de tudo. Aí, quando por algum motivo estamos com menos roupa, ou sem a camiseta, quem vê não acredita que por baixo daquela camiseta solta e daquela “aparente magreza”, tem uma mutação que ninguém vê.

04 Ferraz - Fale do corpo moldado pelo fisiculturismo.
Fabiano - No mundo da arte, o artista busca modificar tudo o que a mente possa lhe permitir. Manifesta suas idéias e reproduz mutações num simples pedaço papel, numa tela, numa pedra, ou seja, lá onde quiser se expressar. No esporte isso também é possível. O fisiculturismo torna isso realidade. A matéria bruta a ser lapidada é o próprio corpo humano, que reúne características diversas. Uma transformação vai ocorrendo gradativamente. As curvas vão ficando cada vez mais profundas, a pele vai esticando, ficando mais fina que papel, com aspecto de uma ceda, o corpo mais firme que uma rocha, quase uma armadura, veias tomam conta do corpo, parecendo verdadeiras raízes. Um trabalho longo, dolorido, suado e incrível!
O resultado final de aproximadamente 12 semanas é exposto num palco por apenas 90 segundos. Um seleto grupo de artistas é que fazem parte dessa galeria de obras de arte, onde não é apenas o resultado final que vale para o atleta nem a exibição de um corpo, e sim o prazer do treino intenso, pesado, acompanhando o resultado, semana após semana de muito sacrifício, onde os espelhos, as comparações, as opiniões e os olhos alheios, são meros coadjuvantes. O Fisiculturista em resumo, é uma obra de arte viva, que além da matéria física trabalhada, expressa através da linguagem corporal, toda magia que o esporte representa, toda beleza esculpida. No palco além de toda essa exibição ao público, para o BodyBuilder, tem outro significado. É a guerra de um homem só. Um esporte individual, onde em cima de um palco é cada um por si, observando as regras do esporte, predeterminadas por poses obrigatórias, quando cada um tem o seu momento de mostrar o seu melhor, todo potencial trabalhado e lapidado, aguardando o julgamento final, que decidirá que é o mais completo culturista.

05 Ferraz - Explique como são feitas as avaliações nos campeonatos.
Fabiano - Em um campeonato, a avaliação é realizada por uma comissão de árbitros, sempre em número ímpar, acima de três avaliadores, tendo um arbitro central que dá o veredicto final e aponta os vencedores e demais colocações. As regras do esporte são universais, sendo o esporte dividido em duas federações, IFBB (International Federation of Body Building and Fiteness) e NABBA (National Amateur Bodybuilders Association), tendo a primeira como característica, separar as categorias dos competidores por peso corporal, quando a outra por altura, ambas as avaliações e medidas realizadas no dia da competição. No palco há dois momentos. Uma apresentação individual, onde o competidor apresenta coreografia musical, “normalmente” ensaiada, para demonstrar ao público poses do culturismo, tendo aproximadamente 90 segundos para a exibição, que cabe salientar, não é avaliada, e sim, apenas uma apresentação ao público. O segundo momento, as categorias são chamadas ao palco ordenadamente, uma por vez. Dentro da mesma, os atletas seguem a orientação do árbitro central, que ordena a execução de uma seqüência de poses obrigatórias, essas sim, avaliadas no ato pelos demais membros da comissão avaliadora, onde é feita a comparação entre os atletas. Todos os atletas recebem um número de identificação e são chamados pelo nome ou número, em qualquer movimentação ou solicitação. Essas comparações se baseiam em analisar os seguintes pontos: Harmonia e simetria muscular, isso que dizer a analise de toda musculatura trabalhada, definição, volume, proporção, aliando então, a qualidade e tamanho dos músculos, estriamento muscular, postura, apresentação.

 

------Essa entrevista continuará através de uma troca de e-mails e consequêntimente as perguntas e respostas serão publicadas aqui sem data prevista.

O conteúdo e fotos desta entrevista são de responsabilidade do entrevistado - Fabiano Krowczuk - Qualquer uso de imagem que possa ser considerado indevido, entrar em contato através do e-mail wag_ferraz@hotmail.com que tomaremos as devidas providencias de remover o material ou acrescentar os créditos adequados.

Wagner Ferraz

Fabiano
Foto do arquivo pessoal de Fabiano
 
     
       

Álbum de

Fabiano

Fotos cedidas por Fabiano

Foto do arquivo pessoal de Fabiano
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